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Insatisfação não levará aliados a apostar contra o governo

18/09/2011 de SP - Folha de S. Paulo, por LUIZ GUILHERME PIVA

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HÁ ANALISTAS E ATORES DO MERCADO QUE TEMEM REAÇÕES MAIS SÉRIAS. (...) MAS É PRECISO TER CUIDADO NESSAS LEITURAS

A demissão de ministros em meio a denúncias de corrupção pode ter somado pontos à imagem da presidente Dilma. A ideia de faxina, mesmo que ela rejeite o termo, pega bem na opinião pública. Mas não agrada aos partidos.

O PMDB, maior aliado, deixa escapar lamentos e ameaças. O PR estrilou oficialmente. Mesmo entre petistas, o silêncio é algo contrafeito.

Nada de grave ou explícito, por ora. Mas há analistas e atores do mercado que temem reações mais sérias.

Uma delas viria por aprovações, pelo Legislativo, de projetos que podem ampliar gastos públicos. Outra, pela gradual perda de coesão da aliança situacionista.

Mas é preciso ter cuidado nessas leituras. Há na agenda, de fato, temas que poderão dificultar as metas fiscais.

Os principais são a emenda 29 (recursos para saúde) e a PEC 300 (salário de policiais militares), além da apreciação do Orçamento de 2012.

É provável que parlamentares tentem aprovar versões generosas desses projetos.

Porém, essa disposição dos congressistas não poderá ser atribuída a supostas reações da base contra o Planalto.

São temas que tendem a receber apoio de congressistas pela popularidade que geram em amplas faixas eleitorais.

Eles propiciam espaços para pressões, já que o Executivo também sabe do apelo das medidas. Daí que deverá haver concessões nas despesas, mas nada que gere uma tragédia nos resultados fiscais.

Isso porque -e aqui vai o comentário sobre a segunda possível reação- a base governista, por mais heterogênea que seja, não vai forçar seus pleitos até o limite, apostando na deterioração da economia e do governo.

Acreditar que os aliados o fariam equivale a supor que eles têm à mão alternativa viável de ancoragem política. Hoje, não têm.