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Bispo paulista destina verbas para a Bahia

18/09/2011 de MG - Estado de Minas, por Alessandra Mello, Alice Maciel e Maria Clara Prates

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O ex-deputado federal Bispo Gê Tenuta (DEM/SP) é um dos protagonistas das viagens de emendas para proveito próprio. De acordo com dados da Lei Anual Orçamentária (LOA) 2010, o político destinou simplesmente sete das 10 emendas para Bahia, a mais de mil quilômetros da sua base eleitoral, São Paulo, que mereceu apenas duas. E mais grave: os baianos foram eleitos para receber R$ 8,1 milhões em recursos da União, e os paulistas ficaram com pouco mais da metade do dinheiro, apenas R$ 4,3 milhões. Tudo isso de olho em sua reeleição para a cadeira da Câmara dos Deputados, já que o evangélico da Igreja Renascer em Cristo transferiu seu domicílio eleitoral de São Paulo para a Bahia, onde estava vivendo há dois anos por determinação de seus superiores. Os recursos foram prometidos, mas o eleitor baiano não engoliu a manobra e não elegeu o Bispo Gê para essa legislatura.

Mesmo sendo uma prática corriqueira, adotada por pelo menos 74 deputados dos 513, no ano passado, o envio de verba pública não foi suficiente para reeleger um dos principais líderes da Igreja Renascer em Cristo no Brasil. Ele tomou assento no Congresso Nacional em 2006, quando recebeu 86,9 mil votos dos paulistas. Ao tentar transferir sua base eleitoral, não conseguiu arrancar dos baianos mais do que 18,5 mil votos. Ou seja: apenas um quinto da votação anterior. Depois da eleição, o evangélico tentou justificar sua derrota: ."Em 2006, fui eleito pelo estado de São Paulo, por motivos ministeriais. Há quase dois anos domiciliado no estado da Bahia, concorri ao pleito por esse estado, onde na cidade de Salvador obtive uma expressiva votação, mas infelizmente não alcancei o interior do estado.” Mesmo com o reforço das emendas na campanha, o evangélico deixou para trás uma carreira de política extensa. Antes de se eleger deputado federal, ele também foi deputado estadual de São Paulo, entre 2003 e 2006.

Título

O namoro do Bispo Gê com a Bahia deixou claros os interesses econômicos. Um mês depois de privilegiar os baianos, destinando as emendas em novembro de 2009, o político e religioso mereceu o título de cidadão honorário de Salvador com sessão solene no Centro Cultural da Câmara. A iniciativa foi do vereador Adriano Meireles (PSC), que exaltou a importância dos trabalhos sociais e religiosos do amigo, que consegue ser comunicólogo em rádio e televisão, teólogo, empresário téxtil e também conselheiro de estado. Ele teve assento nos conselhos de Assistência Social do Estado de São Paulo, de 2003 a 2005; da Defesa da Criança e do Adolescente, no mesmo período; do Conselho Estadual de Alimentação Escolar, de 2004 a 2006; e do Conselho Especial de Presos Políticos – Análise de Processos de Indenização.

Apesar disso, a vida parlamentar do evangélico foi marcada também por suspeitas e acusações criminais. Registros do Supremo Tribunal Federal demonstram que ele responde a três inquéritos, sob as acusações de compra de votos, crime contra a administração pública e ainda crime contra a incolumidade pública. Neste último, o Bispo Gê Tenuta foi responsabilizado pela Procuradoria da República de São Paulo pelo desabamento de um templo no Bairro do Cambuci, na capital de São Paulo, em janeiro de 2009. Mais de 100 pessoas ficaram feridas e nove morreram no acidente. A igreja alega que foi uma fatalidade, mas o Ministério Público Federal sustenta que os dirigentes da instituição foram negligentes na manutenção das instalações do templo.

Memória - Os fantasmas do deputado

Em 2007, logo depois de se eleger deputado federal, o promotor de Justiça Saad Mazloum, secretário da Promotoria de Justiça e de Cidadania do Ministério Público de São Paulo, instaurou procedimento investigativo para apurar a situação de Fernanda Hernandes Rasmussen, a "Pastora Fê", e seu marido, Douglas Adriano Rasmussen, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ela é filha do casal Sônia e Estevam Hernandes, fundadores da Igreja Renascer em Cristo. Fernanda teria sido funcionária fantasma no gabinete do Bispo Gê Tenuta, na Assembleia Legislativa daquele estado, de fevereiro de 2005 a setembro de 2006, recebendo salário de R$ 5,7 mil, além de gratificações. Seu marido Douglas trabalhava no Legislativo desde 2003 e ganhava R$ 7,1 mil mensais. O casal Sônia e Estevam, fundador da Renascer, também responde a processo criminal por evasão de divisas. Naquele ano, o casal foi preso pelo FBI em Miami, ao entrar nos Estados Unidos com US$ 56 mil em espécie, mas declararam US$ 10 mil, contrariando a regulamentação do Serviço de Imigração dos Estados Unidos. Foram detidos no Federal Detention Center, em Miami.