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Comparação com o setor privado é enganosa

17/09/2011 de PR - Gazeta do Povo, por Da Redação

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De janeiro de 2003 até agora, o rendimento médio dos trabalhadores da iniciativa privada cresceu 13,7%, em termos reais, e chegou a R$ 1.480,30. No setor público, o ganho foi de 26,5%, e o rendimento médio é de R$ 2.549,92 – ou seja, R$ 1,1 mil a mais. Entretanto, de acordo com servidores e especialistas, não é possível comparar o rendimento da iniciativa privada com o do poder público.

“Muitas atividades não têm nem comparação. Como é que vai dizer que um diplomata ganha muito? Não há função semelhante na iniciativa privada”, observa Roberto Piscitelli, professor da UnB e membro do Conselho Federal de Economia (Cofecon). Segundo ele, o mesmo ocorre com as funções típicas de Estado.

“É muito subjetivo falar que o salário de um auditor, de um fiscal é alto. O trabalho é de grande complexidade e há um teto salarial para ser respeitado”, observa Antônio Augusto de Queiroz, analista político do Departa­mento Intersindical de Asses­­soria Parlamentar (Diap).

Os dois especialistas dizem que as carreiras públicas tentam atrair os melhores quadros, e por isso fazem um teste seletivo bastante rigoroso. “A intenção é ter as melhores cabeças trabalhando para o governo, e por isso a remuneração deve ser atrativa”, observa o professor da UnB.

Descontos

De acordo com o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Gabriel Wedy, o salário bruto do funcionalismo é alto, mas há muitos descontos obrigatórios, como Imposto de Renda e contribuição previdenciária. “Os juízes, por exemplo, têm um salário líquido de R$ 13 mil. Mas tem servidor que ganha mais. Isso não poderia ocorrer, fere toda a hierarquia da Justiça”, diz.

Segundo Piscitelli, se for feita alguma comparação, é possível dizer que o salário dos ministros do STF não é compatível com o trabalho. “Se observarmos quanto ganha um advogado que circula ali mesmo pelo Supremo, a remuneração dos ministros é bem baixa mesmo”, diz. Para ele, o reajuste do STF é um assunto delicado, pois o teto constitucional é vinculante, e qualquer aumento provoca um efeito cascata em outros setores. (RF)