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Lula: "Político tem que ter casco duro"

20/09/2011 de DF - Correio Braziliense, por Da Redação

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Ex-presidente afirma que ministros do governo Dilma devem resistir quando forem alvos de denúncias

No dia em que recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado aos ministros do governo da presidente Dilma Rousseff. Ele sugeriu àqueles que tiverem o nome envolvido em escândalos de corrupção que resistam às denúncias para provar que estão certos. A declaração foi feita logo depois da solenidade em que o petista recebeu a homenagem, em Salvador.

"O político tem que ter casco duro. Porque se cada político tremer a cada vez que alguém disser uma coisa errada dele, se ele não enfrentar a briga para provar que está certo, as pessoas vão saindo mesmo", afirmou o ex-presidente, antes de contextualizar exemplos de ministros que deixaram à Esplanada nos primeiros meses do governo Dilma.

Para Lula, houve precipitação em alguns casos. Ele se referiu às recentes demissões nos quadros de primeira escalão, mas não citou a queda de Antonio Palocci, ex-ministro da Casa Civil, que também exerceu cargo de destaque no governo Lula, quando comandou a pasta da Fazenda. O ex-presidente opinou sobre as recentes demissões dos ex-ministros Alfredo Nascimento, dos Transportes; Nelson Jobim, da Defesa; Wagner Rossi, da Agricultura; e Pedro Novais, do Turismo.

"Pelo que eu vi pela imprensa, o ministro Alfredo não foi a presidenta Dilma que tirou. Ela mandou Nascimento investigar (supostas irregularidades na pasta). O ministro Jobim não saiu por corrupção, saiu por conta de outro problema. O ministro da Agricultura, a presidenta Dilma defendeu publicamente ele, que depois renunciou. O ministro do Turismo teve um problema quando era deputado", comentou Lula, citando as quatro últimas demissões de ministros.

Embora tenha demonstrado insatisfação com as sucessivas quedas de ministros no primeiro ano do governo Dilma, Lula avaliou que sua sucessora tem agido de forma correta. Na sequência, ele emendou que a petista não irá compactuar com a impunidade. "Ninguém pense que ficará impune se fizer alguma coisa errada. Se ela souber, eu conheço, ela vai passar a vassoura."

Educação

Enquanto Lula recebia o título, manifestantes faziam barulho do lado de fora do auditório, reivindicando a aplicação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país na educação. O protesto aumentou quando, durante o discurso, o ex-presidente citou números referentes ao setor durante o seu governo. Somente no fim da solenidade, a organização autorizou a entrada dos estudantes que participavam do protesto. Eles ergueram cartazes pedindo mais atenção à educação. Bem humorado, Lula disse que dedicava o título que recebeu aos manifestantes.

Aos jornalistas, Lula atribuiu a homenagem recebida ao reconhecimento da UFBA às suas duas gestões no cargo de presidente da República. "A deferência da universidade é menos de caráter pessoal ao Lula e muito mais ao resultado coletivo que a sociedade construiu", afirmou. Ontem à noite, a agenda dele previa uma palestra na Nestlé, em Salvador. Hoje, o ex-presidente vem a Brasília para debater a reforma política com o vice-presidente, Michel Temer, em encontro marcado para o Palácio do Jaburu.

"Se cada político tremer a cada vez que alguém disser uma coisa errada dele, se ele não enfrentar a briga para provar que está certo, as pessoas vão saindo mesmo"

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente