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Protesto na Cinelândia

20/09/2011 de DF - Correio Braziliense, por ROBERTO WAGNER

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Um dia depois de a praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, amanhecer com 594 vassouras fincadas na areia em sinal de protesto contra o desvio de verbas públicas, ontem foi a vez de pouco mais de duas mil pessoas, segundo cálculo da Polícia Militar, participarem da Marcha contra a Corrupção na Cinelândia, no centro da cidade.

Organizada pelo movimento Todos juntos contra a Corrupção, a manifestação frustrou a expectativa de público — até a tarde de ontem, mais de 35 mil pessoas haviam confirmado presença por meio das redes sociais. Ainda assim, quem esteve na Praça Floriano não perdeu a chance de exigir um basta.

Com o Teatro Municipal ao fundo e a escadaria da Câmara Municipal tomada, os manifestantes levaram faixas, cartazes e até se fantasiaram para reforçar o protesto. As principais bandeiras do movimento atacavam o voto secreto no Congresso, cobravam maior transparência da União e, principalmente, exigiam a aceleração da tramitação do projeto que transforma em crimes hediondos os delitos de concussão, corrupção ativa e passiva.

Durante as pouco mais de três horas de manifesto, quatro livros foram disponibilizados para colher assinaturas favoráveis à proposta.

Após 22 horas de viagem de ônibus de Ponte Nova (MG) até o Rio, o empresário André Luiz Santos chegou cedo à praça para mostrar a indignação. Carregando uma cruz, ele disse estar realizado em poder participar do evento. "Hoje o Congresso não é só a vergonha do país. Estou vendo o povo brasileiro reviver o tempo dos caras-pintadas. Estive em Brasília, em São Paulo e agora no Rio. Nós temos que lutar, dar um basta nessa corrupção."

Músicas

Inicialmente a marcha contou com pouca presença de jovens. Representado em sua maioria por adultos e idosos, o evento só ganhou corpo no início da noite. Já esvaziado e perto do fim, às 20h, o evento recebeu o reforço de músicos, como Frejat e Tito Santa Cruz. Do alto do carro de som, Frejat falou menos de um minuto, mas o suficiente para mexer com o brio dos manifestantes. "Não vim aqui para fazer discurso. Vim para mostrar a minha indignação. Essas pessoas têm que saber que não aguentamos mais. Não queremos mais vê-los no poder. Hoje (ontem) apenas começamos, mas vamos assustar ainda mais", bradou o músico.

Decepcionado com o número de presentes, Tito agradeceu a quem disponibilizou parte do tempo para prestigiar o manifesto. "O povo brasileiro se mobiliza com futebol, com torcida organizada, mas não com o nosso país. Agradeço a todos que vieram, mas ainda falta muito para acabarmos com isso", disse o integrante da banda de rock Detonautas.