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PF caça prefeito e primeira-dama por desvios

20/09/2011 de RJ - O Globo, por Odilon Rios

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Marcos Santos, de Traipu, em Alagoas, usou R$8,2 milhões da Educação para comprar 26 carros e sete imóveis

Pela quarta vez em cinco anos, a Polícia Federal desarticulou um esquema de corrupção na prefeitura de Traipu, às margens do Rio São Francisco, sertão de Alagoas. Investigações do Ministério Público Federal apontam que, desde 2007, um grupo liderado pelo prefeito Marcos Santos (PTB) desviou R$8,2 milhões em verbas do Fundeb e do transporte escolar, entre 2007 e 2010. Traipu tem o segundo pior IDH do país.

Na Operação Tabanga, na madrugada de ontem, a PF constatou que os R$8,2 milhões foram desviados para compra de 26 automóveis - entre carros de luxo, caçambas, tratores, microônibus e uma lancha -, além de mais sete imóveis, entre chácaras, fazenda e uma casa, e 658 cabeças de gado Nelore.

Só a Fazenda Sonho Meu vale R$4,5 milhões. Todos os bens foram tornados indisponíveis e devem ir a leilão em 60 dias, é o que espera o MPF.

Foram expedidos oito mandados de prisão preventiva, mas só quatro prisões realizadas - os nomes dos presos não foram divulgados. Entre os foragidos estão o prefeito e a primeira-dama, Juliana Kummer Freitas dos Santos, além de secretários municipais e os policiais Ricardo Martins Ribeiro, Osman Bandeira de Melo Neto e Isaias Andrade da Fonseca, que faziam segurança pessoal ao prefeito.

- A PF está investigando se houve vazamento da informação. Não estamos descartando nenhuma possibilidade. Instauramos um procedimento para apurar isso - disse o superintendente da PF, Amaro Vieira.

Pelo "mapa" da Operação Tabanga, o prefeito seria abordado por homens da PF na casa dele, a Fazenda Sonho Meu, na madrugada de terça. Mas ele havia fugido com a primeira-dama.

Além das prisões, houve 16 mandados de busca e apreensão, 28 sequestros de bens e quatro ordens de suspensão do exercício da função pública. Foram apreendidos ainda 19 armas, pássaros silvestres e cartões de banco. As investigações começaram em 2009, por denúncias do Sindicato dos Trabalhadores da Educação.

O prefeito se reelegeu em 2008. Mas a Justiça Federal determinou seu afastamento imediato. No lugar dele, assume a vice, Juliana Machado, nora do prefeito - presa em maio, com a primeira-dama de Traipu, acusada de desviar verba da merenda escolar para compra de uísque, uma boneca e pagamento de despesas pessoais.

- Estamos estudando medidas que possam ser usadas quanto a essa situação da vice-prefeita - disse o procurador da República José Godoy.

Marcos Santos foi preso em 2005, na Operação Gabiru (que investigou desvios na merenda escolar). Dois anos depois, nas operações Carranca, Caetés e, agora, na Tabanga.

Até o ano passado, qualquer pessoa só poderia entrar em Traipu após se identificar com seguranças mandados por Santos. Uma corrente foi posta pelo prefeito, servindo de barreira, e arrancada ano passado pela PF.

Santos era um dos principais cabos eleitorais do senador Fernando Collor (PTB), candidato ao governo em 2010. Traipu foi a cidade escolhida por Collor para o início da campanha.